Como Superar as Limitações da Sua Câmera

Como Superar as Limitações da Sua Câmera

O objetivo deste artigo é esclarecer dúvidas comuns e muitas vezes simples, mas que podem parecer desafiadoras demais para quem está iniciando na fotografia.

Justamente por ter um site de fotografia, lido diariamente com centenas de comentários com dúvidas, na sua maioria de hobbystas, com dificuldades parecidas, e existe uma expectativa nas respostas que nem sempre pode ser atendida.

Nós todos sabemos que para uma foto sair “perfeita”, sim, o perfeita precisa estar entre aspas, já que o critério quando estamos falando de algo artístico, pode variar simplesmente de ponto vista. Bom, para que esta foto seja minimante aceitável, precisamos que uma equação funcione muito bem:

LUZ + CÂMERA + FOTÓGRAFO + INSPIRAÇÃO

O domínio desses quatro elementos pode variar, você pode não ter o melhor dos 4, mas com certeza para um resultado satisfatório, você precisará complementar, pelo menos, o que estiver faltando. Aqui vou abordar o elemento câmera, porque é o que mais me perguntam, tanto que escrevi um livro com mais de 80 páginas explicando de maneira simples e objetiva como escolher uma câmera fotográfica, o “Nikon ou Canon? Câmera Profissional ou Semiprofissional? Aprenda a Decidir Você Mesmo!”, o que nos leva a entender que existe muito mais coisas que precisamos saber na hora de escolher uma câmera, do que somente o valor.

Recebo emails comoventes, que eu me identifico muito, porque fica claro a dificuldade que o fotógrafo está tendo em realizar as fotos, alguns são quase desesperados e muitos terminam com a pergunta: Qual câmera eu compro então?

Se alguém que você não conhece te mandar um e-mail perguntando qual carro deve comprar, levando em consideração que a pessoa ainda não dirige, você provavelmente vai achar loucura, afinal você precisa de muitos mais dados pra poder ajudar. Agora imagina, se te perguntam qual velocidade deve usar pra dirigir na rua, quando deve frear ou virar a curva, ou ainda, aonde fica esses controles no carro? O mesmo seria responder qual abertura, velocidade e ISO é necessário para fazer as fotos.

A boa notícia é que mesmo não sendo possível dizer exatamente como você deve dirigir, existem vários fatores que podem te ajudar, e muito, a solucionar problemas específicos quando a limitação é a sua câmera! Vamos lá?

1.   Mesmo Com Iso Baixo as Fotos Saem com Ruído

O ISO é um dos três parâmetros do triângulo de exposição (Abertura x Velocidade e ISO) e sua função é aumentar a quantidade de luz através da sensibilidade do sensor, o que pode gerar ruídos  indesejados, pelo menos na maior parte do tempo.

Mas o que é ruído?

Ruído-via-Shutterstock

 Ruído via Shutterstock

 

A imagem das nossas câmeras é formada por vários pixels, como se fossem milhares de pontinhos que juntos fizessem nossas fotos aparecerem. Acontece que muitas vezes as informações repassadas pelo sensor vêm incompletas nas áreas de pouca luz, ou seja, os pixels não conseguem captar nenhuma informação. O resultado são falhas que precisam ser preenchidas para que a imagem não tenha, literalmente, “buracos”. O processador é programado para preencher tais falhas com um valor aproximado aos pixels mais próximos. Como o valor não bate exatamente com a informação que deveria estar ali, o resultado são pontos de cores diferentes, ou seja, o ruído.

Mesmo que você ainda só fotografe no modo automático, sua câmera ainda estará usando o ISO para expor corretamente a cena, e principalmente nesses casos, que você pode ajudá-la a conseguir melhores resultados simplesmente chegando mais perto de uma fonte de luz.

A dica parece simples demais, acredite, muitas vezes ficamos tão concentrados na foto e frustrados com a nossa câmera, que esquecemos que podemos melhorar a cena, como chegar mais perto de uma janela, ou adicionar uma fonte luz artificial perto do seu motivo, um abajur, uma lanterna, qualquer coisa que ajude-a a usar menos ISO.

Ruído

Se já fotografa no Modo Manual, como sempre, terá além de controle total dos seus resultados, muito mais possibilidades para ajustes como esses dois.

  1. Abra o diafragma da sua câmera ao máximo, ou seja, aumente a abertura usando números f pequenos como f3.5(que é normalmente a maior abertura das lentes que costumam vir nos Kits de câmeras, como a 18-55mm).
  2. Se for possível, diminua a velocidade de obturação, de preferência em fotos que não possuem movimentos que possam borrar.

2.   As Fotos Saem Muito Escuras

Nós sabemos que a abertura do diafragma (o número f) está limitada a lente que estamos utilizando, quanto menor o número f, como f2.8, f2.0, mais luz temos, claro que isso tem um desdobramento, a profundidade de campo está diretamente ligada a esta abertura, escrevi um artigo no meu site sobre a Profundidade de Campo que pode te ajudar a entender isso melhor.

Então quanto mais clara a lente for (aberturas grandes – números f pequenos), mais luz teremos em nossas fotos e maiores as chances de não termos fotos subexpostas.

Exposição

Claro que aqui também podemos lançar mão das dicas anteriores, como diminuir a velocidade, aumentar o ISO, aumentar a fonte de luz e até mesmo utilizar o Flash.

O importante aqui é descobrir os motivos da nossa foto estar saindo escura. Quando mesmo configurando ao máximo sua fotometria (Abertura x velocidade e ISO), a foto sai escura, precisamos ajudar nossa câmera, porque é bem provável que a limitação seja ela e neste caso temos que aumentar a fonte de luz!

Se seu equipamento é recente, grandes chances que mesmo com uma câmera de entrada, ela responda bem a ISOS maiores, para descobrir isso, basta que faça testes, pode ser em sua casa mesmo, de preferência à noite.

A primeira forma de se testar quando começa a aparecer ruído em nossas fotos, é fazendo ajustes no Modo Manual para fotometrar corretamente a cena, e depois ir aumentando o ISO progressivamente, tirando várias fotos com ISOS cada vez maiores, lembrando que as fotos precisam estar minimamente fotometradas. Depois aumente a visualização da imagem em 100% no seu LCD e veja a partir de que número ISO suas fotos não podem ser consideradas aceitáveis.

Se o Modo Manual ainda não é a sua praia, você pode, no mesmo ambiente, fazer uma foto no modo automático (sem flash), depois copiar os dados do EXIF da foto e reproduzi-las no modo manual.

Se ainda não estiver familiarizado com o termo Exif, ele é um recurso criado pela empresa JEIDA (Japan Electronic Industries Development Association). Seu nome é a abreviatura de Exchangeable image file format, e são dados gerados pela maioria das câmeras fotográficas. Ao fazer uma imagem, o exif grava algumas informações técnicas sobre a foto. Podem ser registrados dados como data e hora, quantidade de pixels utilizados, velocidade do obturador, abertura, zoom, ISO, câmera utilizada, distância focal, citando alguns exemplos. Essas informações embutidas na imagem irão depender das configurações da sua câmera, e podem ser extremamente úteis para seu aprendizado! Se você ainda não sabe utilizar esse recurso, aqui tem um artigo que vai ajudá-lo.

E ainda temos a possibilidade de colocar a câmera no Modo Programado (P), onde ela irá configurar automaticamente a velocidade e a abertura, e nós teremos somente o ISO para alterar, que é justamente o que estamos buscando.

Uma outra forma de ajudarmos nosso equipamento, é fotografando em Raw, que nos permite fazer essa compensação de luz sem perda nenhuma de qualidade. Se você ainda não abraçou esse formato, aproveite para estudá-lo aqui, garanto que você vai aumentar, e muito, as suas possibilidades de ótimos resultados.

Raw

Resumindo: Temos 5 formas de conseguir fotos mais claras:

  1. Aumentando a abertura – a consequência são profundidades de campos menores, o que pode gerar em algumas situações, dificuldades de foco.
  2. Diminuindo a velocidade – a consequência é o risco de borrar o assunto, o ideal é diminuir o suficiente para conseguir fotografar sem tremidas (velocidades como 1/60 ou 1/30 se tiver a mão firme), ou utilizar um tripé para cenas que não possuem nada em movimento.
  3. Aumentando o ISO – a consequência são os possíveis ruídos que na maior parte do tempo são indesejados. Para isso faça os testes sugeridos.
  4. Usando uma fonte Luz natural ou artificial como o flash – a consequência é termos fotos com luz muito dura, para melhorar isso, tente utilizar difusores.
  5. Fotografando em Raw – a consequência é que precisaremos de cartões de memória maiores e aprender minimamente a editar esse tipo de arquivo.

Como você viu, todas as opções podem trazer algum tipo de problema, o importante é você avaliar qual é o menor, para a cena que estiver fotografando naquele momento.

3.   As Fotos Saem Tremidas (Borradas)

Fundo-borrado-Via-Shutterstock

Fundo borrado via Shutterstock

 

Às vezes, mesmo utilizando uma velocidade de obturação considerada segura, nossas fotos saem tremidas ou borradas, e nestes casos precisamos recorrer a alguns truques:

  1. Se possuir, ative o estabilizador de imagem – Quando fotografamos com comprimentos focais grandes (lentes com muito zoom), as câmeras precisam estar completamente estabilizadas! E por isso, algumas câmeras já possuem o estabilizador no próprio corpo, como a Sony e a Pentax. Já a Canon e a Nikon possuem algumas lentes com estabilizadores, elas vêm com as iniciais IS (Canon) e VR (Nikon) e como você já deduziu, servem para estabilizar a imagem e evitar borrões.
  2. Segure a câmera corretamente! Sim, a sua postura pode ser determinante para ter uma foto e foco! Veja aqui como conseguir isso.
  3. Você também pode utilizar um disparador remoto, ou ainda utilizar o temporizador da câmera (normalmente de 2 ou 10 segundos), assim, em situações que esteja utilizando muito zoom ou baixas velocidades (1/15, 1/8, ou menos), não precisará apertar o botão de disparo evitando tremidas indesejadas.

4.   Sua Câmera não é Full Frame

Garoto-com-câmera

Garoto com câmera via Shutterstock

Coloquei esse item porque considero que não ter uma câmera Full Frame não pode ser considerado uma limitação para suas fotos.

As câmeras são divididas, principalmente, pelo tamanho dos seus sensores. Existem sensores de diversos tamanhos, sendo que o tamanho base é de 35 milímetros. Câmeras que possuem o tamanho base de sensor 35mm, são chamadas de full frame e, não sei se você recorda, são do mesmo tamanho daqueles rolos de filme de antigamente. Sensores com tamanho menor do que o base, são chamados de APS–C e as câmeras que possuem esse sensor, também são conhecidas por câmeras “cropadas”. Aqui você pode ler um artigo completo onde explico a diferenças entre os fatores de corte.

Outra divisão, e aí é bem mais mercadológica do que técnica, é que as câmeras cropadas são divididas em câmeras de entrada e semiprofissionais, e são maioria entre o público que acompanha o meu site.

As Full Frames são melhores, isso é indiscutível, possuem sensores maiores, mais megapixel, mais lentes grande angulares disponíveis, menos profundidade de campo em qualquer abertura (o que facilita desfoques criativos), são mais duráveis, mais resistentes e… indicadas para profissionais!

Se você decidir correr de carro profissionalmente, precisará de um carro de corrida, não terá chances de vitória com um carro de passeio, mas para andar na rua, para cumprir a maioria dos seus compromissos diários, levar você do ponto A ao Ponto B, você poderá perfeitamente contar com um carro de passeio, se mais simples (câmera de entrada) ou mais completo (câmera semiprofissional), vai depender exclusivamente da sua necessidade, já que ambos então aptos para a função.

Você só precisa levar em consideração a real necessidade de algumas características, que às vezes é determinante para um bom resultado, mas muitas vezes simplesmente representa um conforto a mais na hora de fotografar.

Veja alguns exemplos:

  • Conectividade Wi-Fi
  • Flash embutido
  • Sapata (para um flash externo)
  • Tela sensível ao toque
  • Tela articulada
  • Slots duplos para cartões de memória
  • Estabilização de imagem (na câmara ou na lente)
  • Suporte a arquivos RAW (lhe dá mais controle em pós-processamentos)
  • Capacidades de vídeo (HD, 4K, etc.)
  • Suporte para microfone externo
  • Altas velocidade de disparo (frames por segundo)
  • Distância mínima de focagem ou o modo macro
  • Modos de disparo (para efeitos criativos)
  • Vedação da câmera
  • Vida da bateria
  • Peso

É fácil perceber que muitos itens não vão impedir aquela foto incrível que você sabendo utilizar a equação lá do início “LUZ + CÂMERA + FOTÓGRAFO + INSPIRAÇÃO”, será capaz de fazer, mesmo sua câmera não sendo, ainda talvez, uma Full Frame.

E caso você tenha dúvida para saber em que categoria encontra sua câmera, segue alguns exemplos de câmeras Canon e Nikon nas três categorias.

DSLR – Entrada

  • Nikon D3200
  • Nikon D3300
  • Canon EOS 100D (Rebel SL1)
  • Canon EOS 700D (Rebel T5i)
  • Canon EOS 1100D (Rebel T3)
  • Canon EOS 600D (Rebel T3i)
  • Canon EOS 1200D (Rebel T5)
  • Nikon D5100
  • Nikon D5200
  • Nikon D5300

DSLR – Semiprofissionais

  • Canon 50D
  • Canon 60D
  • Canon 70D
  • Canon 7D
  • 7D Mark II
  • Nikon D7000
  • Nikon D7100
  • Nikon D7200

DSLR – profissionais

  • Canon 1DX
  • Canon 5D  (Mark I, II, III e IV)
  • Canon 6D
  • Nikon D4S
  • Nikon D610
  • Nikon D650
  • Nikon D750
  • Nikon D800

5.   Sua Câmera Conta com Poucos Pontos de Foco

visão-do-viewfinder

Visão do viewfinder via shutterstock

 

Sabe quando você aperta o seu botão do obturador até a metade (que é o necessário para fotometrar uma foto, ou seja, para a câmera medir a luz e equacioná-la de maneira a sair a correta quantidade de luz), e uns pontinhos vermelhos aparecem no seu viewfinder, geralmente seguidos de um bip? Eles são os pontos de foco da sua câmera, também podem aparecer na sua tela de LCD, se você não tiver o hábito de visualizar pelo viewfinder. Lembrando que eles ainda podem ser quadrados maiores ou ainda ficarem verdes ou invés de vermelhos, isso depende da câmera.

E você já deve ter ouviu falar que, que alguns modelos de câmeras têm 39 pontos de foco, outras tem 20, 15, 9 … Existem muitos modelos, e uma preocupação excessiva com isso.

Quantos mais pontos de foco, mais área sua câmera é capaz de ler e focar. Mas às vezes não é tanto a quantidade que será determinante para um foco preciso e sim a qualidade. É mais importante você conhecer bem suas possibilidades e usá-los da melhor maneira possível. Mas se mesmo com a qualidade de seus pontos de focagem ou a quantidade deles não forem suficientes para um bom resultado, talvez seja porque você deixou que sua câmera decidisse automaticamente onde seria o melhor foco.

Minha dica é que você mude para o modo de área manual e escolha um ponto como central, único ou flexível, assim poderá ter mais domínio de onde realmente quer que sua foto fique focada.

Já escrevi um artigo aqui mesmo onde explico passo a passo esta configuração, pode conferir aqui.

6.   Sua Câmera Tem Poucos Megapixels

DSLR-camera

DSLR câmera via Shutterstock

 

Sabemos que a maior importância dos Megapixels está na hora de imprimir uma foto em tamanho grande (maior do que as 10x15cm habituais) ou a necessidade de aproximar o assunto cortando a foto na pós-produção.

Se sua câmera não tem uma quantidade absurda de megapixel, nem de longe significa que ela não é capaz de ter resultados incríveis.

Talvez você terá uma necessidade maior em possuir uma lente com mais zoom, ou ainda ter o hábito, mais que saudável, de se aproximar do assunto que quer fotografar.

Saber fotometrar corretamente, utilizar o balanço de branco, saber escolher qual o melhor modo de área AF, compor e enquadrar, tudo isso é bem mais importante e determinante para uma foto impactante do que somente ter muitos megapixels.

Conclusão

Coragem-e-medo

Coragem e medo via Shutterstock

 

Claro que nossa percepção é baseada na experiência que vivemos, todos os itens que selecionei me incomodaram e muito quando iniciei na fotografia, mas nunca fora impeditivo para que eu fizesse as fotos que queria ou precisava.

É muito importante diante das limitações, parar e pensar, imaginar soluções, criar, investigar, perguntar, mudar a forma de enxergar, ter um plano B, C, D!

Não se deixe convencer que somente a melhor câmera pode te permitir as melhores fotos, tenho muito orgulho de participar da capacitação de centenas de milhares de fotógrafos iniciantes com meus livros sobre câmera e fotometria, além dos meus Cursos Online e aprendo diariamente que a maior limitação está na nossa forma de pensar.

Se este artigo foi útil ou interessante pra você, compartilhe-o, tenho certeza que também será para algum amigo seu.

Muito obrigada, boas fotos e até breve!

Imagem em destaque: Trabalho pesado via Shutterstock
Artigo que escrevi originalmente para o site Fotografia-DG.

 

Fator de corte, uma questão de tamanho!

Fator de corte, uma questão de tamanho!

Estamos aqui de novo para falar sobre dicas de fotografia. Esperamos que você as tenha aproveitado e que suas fotos tenham ficado melhores porque você agora já é um fotógrafo melhor, mesmo que de forma ainda iniciante. Nossa dica de hoje é sobre fator de corte. Vamos lá?

Fator de corte

© Jociana Ueland

O que é corte?

Primeiramente, explicaremos alguns conceitos, para você entender e acompanhar sobre o que estamos falando. Corte em fotografia é a mesma palavra que em outros significados, tem a ver com o quanto da imagem será captada pela lente, ou seja, o quanto da imagem será cortada. Isso vai depender do sensor da câmera. Dependendo do sensor, algumas imagens terão cortes maiores e outras, consequentemente, menores.

Sensores das câmeras

Existem sensores de diversos tamanhos, sendo que o tamanho base é de 35 milímetros. Câmeras que possuem o tamanho base de sensor são chamadas de full frame e, não sei se você recorda, são do mesmo tamanho daqueles rolos de filme de antigamente. Sensores com tamanho menor do que o base são chamados de APS – C. Você observará que o tamanho padrão de 35 milímetros, na verdade, possui dimensões de 36 x 24 mm. Para saber a diferença no fator de corte, se for possível, faça fotos com câmeras com sensores de diferentes tamanhos: um com full frame e outro com APS – C. Você irá reparar que as fotos são iguais, se forem feitas com a mesma resolução e as mesmas características, tendo como única diferença a borda cortada, que na com full frame será menor esse corte. Com uma câmera full frame, você terá muito mais da foto retratada do que nas APS – C.

Fator de corte (ou crop fator)

Fator de corte, uma questão de tamanho

©Jociana Ueland

Agora você já sabe que as bordas são definidas, ou cortadas, pelo sensor da câmera. Mas qual o fator de corte? Como saber quanto da foto será cortado? Precisamos usar um pouco de lógica para entendermos o fator de corte.

Quando cortamos um pedaço da imagem, supõe – se que, quanto menor o sensor, maior a distância focal da lente. Agora precisamos usar um pouco de Matemática. Sim, para fotografia também usam – se cálculos e eles fazem diferença nas fotos feitas.

Temos, por exemplo, uma câmera com sensor de 22 x 15 mm, ou seja, APS – C, pois é menor do que o tamanho base dos sensores. Utilizando uma lente de 31 mm com esse sensor, ela fará a mesma fotografia que uma câmera com lentes de 50 mm e full frame (sensor de 36 x 24 mm) faria. Para saber o fator de corte, dividimos o tamanho das lentes, ou seja, 50 dividido por 31 e chegamos ao valor de 1.6. Esse é o fator de corte deste sensor. E se você souber o fator de corte e deseja saber quais lentes usar, qual o cálculo a ser feito? Pois é, Matemática de novo! É só fazer o cálculo inverso. Temos um sensor APS – C e desejamos saber qual lente usar, com o fator de corte 1.6. Pegamos o valor de 50 mm (lentes para sensores full frame) e dividimos esse valor pelo fator de corte (1.6), obtendo o número 31. Consequentemente, descobrimos que, para utilizar sensores APS – C e termos fotos iguais a aquelas feitas com câmeras de sensores full frame e lentes de 50 mm, precisamos de lentes com 31 mm, se utilizarmos o mesmo fator de corte.

Um sensor full frame é aquele que capta um tamanho maior da fotografia, enquanto sensores APS – C irão fazer fotografias menores, ou seja, irão cortar mais da fotografia e a cena retratada será menor. Por isso, fazendo o cálculo do fator de corte, você poderá aproveitar mais da cena e captar mais lembranças.

Aumentando o fator de corte, as lentes irão se comportar da mesma forma, ou seja, elas não sofrem mágica e mudam a medida. O que acontece é que as lentes de 50 mm até podem aumentar as bordas e cortar 80 mm, mas seu comportamento ainda é de uma lente de 50 mm, mantendo a mesma profundidade de campo e todas as suas outras características.

Isso é válido demais, porque as câmeras que possuem sensores full frame são aqueles que simulam as câmeras antigas de filme e são, em sua maioria, utilizadas em câmeras mais caras. Utilizando – se do fator de corte, você terá fotografias maiores, semelhantes à aquelas das câmeras de ponta.

Principais fatores de corte

Fator de corte, uma questão de tamanho

Os fatores de corte mais comuns das câmeras atuais são 1.5 e 1.6. O que os fabricantes de câmeras tem feito atualmente são câmeras com sensores menores, com lentes menores e mais leves.

Principais fatores de cortes

   1.7 × – Sigma DP1, DP2 Sigma, Sigma SD15, SD14 Sigma, Sigma SD10, Sigma SD9.

   1.62 × – Canon EOS 7D, 50D, 60D, 70D, 600D (T3i/X5), 650D (T4i/X6i), 700D (T5i/X7i), 1100D (T3/X50), 1200D (T5/X70), Canon EOS M.

   1.57x – Nikon D3100, Nikon D3200

   1.54 × – Pentax K-01, K-50, K-500, Samsung NX

   1.53 × – Pentax K-3, Nikon D3300, Nikon D5300

   1.52 × – Todos formato DX da Nikon câmeras DSLR, exceto D3100, D3200, D3300 e D5300; todos Fuji; Sony (exceto para o full-frame α 850, 7 e α α 7R); Sigma SD1, Sigma SD1 Merrill, Sigma DP1 Merrill, Sigma DP2 Merrill.

    1.3 ×  – Canon EOS-1D Mark IV, 1D Mark III, 1D Mark II (e Mark II N), EOS-1D, Kodak DCS 460, DCS 560, DCS 660, DCS 760, Leica M8, M8.2

Nem todas as lentes são compatíveis com sensores full frame e, por isso, você deve ficar atento quando comprar uma para sua câmera. As marcas designam as seguintes terminações de lentes para as suas respectivas câmeras:

  1. Canon: EF-S
  2. Konica Minolta: DT
  3. Nikon: DX
  4. Pentax: DA
  5. Samsung: NX
  6. Sigma: DC
  7. Sony: DT, E.
  8. Tamron: Di II
  9. Tokina: DX

 

Ou seja, se você tem uma câmera que possui fator de corte (conhecidas como cropadas) e precisa de uma lente, é só buscar nos mercado lentes com a terminação correspondentes, por exemplo, a Nikon D3200 que possui fator de corte 1.52, é só procurar por lentes DX.

E como já escrevi anteriormente, eu indico sempre dar uma olhada no site do Photozone, mesmo sendo em inglês, no final eles sempre fazem uma análise da qualidade ótica, da qualidade mecânica e do custo x benefício e esse último muito nos interessa, né?

Aqui no site tem este artigo “Lentes Nikon, lentes Canon, lente o quê?” onde você pode entender um pouco melhor sobre os tipos de lentes.

E na prática o que isso importa pra mim?

Fator de corte, uma questão de tamanho

Clique na imagem para ver em tamanho completo

Explicando a imagem. Como você pode perceber, a imagem da garota foi feita 4 vezes, mas se usou somente 3 resultados:

Quando usamos uma lente 50mm em uma câmera Full Frame e em uma câmera cropada, os resultados são bem diferentes, você pode perceber no 1º e 2º resultados, mas quando usamos uma 70mm em uma Full Frame, o resultado se aproxima bastante da cropada de 50mm, como visto no 2º e 3º resultado.

Atualmente nós estamos acostumados às lentes grande angulares das câmeras compactas e celulares, e isso traz muito conforto na hora de fotografar, quando “evoluímos” para equipamentos com fatores de corte, é comum sentir o desconforto, por que não dizer a frustração de não conseguir fazer o mesmo enquadramento.

Essa perda pode ser útil em alguns casos porque você acaba ganhando mais zoom, mas por outro lado, dependendo do tipo de fotografia que você faz, isso vira uma tortura 🙂

Eu vivia uma situação “estressante” quando comecei a fotografar eventos profissionalmente (minha câmera também tinha fator de corte) e o meu sócio, uma Full frame. Toda vez que eu precisava fotografar um grande grupo, a minha primeira preocupação era a distância que eu teria que ficar pra enquadrar, já que a mesma lente em câmeras com e sem fator de corte, enquadram áreas bem diferentes…

Ah, então eu preciso de full frame? Talvez não, mas é bastante aconselhável que você entenda que quando sua câmera vem com uma lente de KIT 18-55mm, na verdade você possui aproximadamente uma 27-82mm (18 x 1.5 e 55 x 1.5), ou seja, nem tem grande abertura, nem grande zoom.

Vale estudar esse conceito e aplicar no entendimento de como sua câmera funciona, sempre visando em um resultado melhor!

       Até a próxima!

Assinatura Simxer - Autora do Foto Dicas Brasil